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Como promover a democracia sem falar de democracia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Jueves, 02 de Julio de 2015 11:57

Por .-

Um fio conecta as negociações em Viena sobre o programa nuclear doIrã e a reabertura das embaixadas dos Estados UnidosCuba, que o presidente Barack Obama anuncia nesta quarta-feira em Washington. O espírito que inspira ambas as iniciativas é o mesmo. Em 2008, durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Obama prometeu dialogar com países inimigos. E cumpriu a promessa. A Casa Branca espera que o diálogo leve à democratização de Cuba e a uma melhora das relações com o Irã que ajude a estabilizar o Oriente Médio.

Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Cuba em 1961, após a revolução. Com o Irã, o rompimento aconteceu em 1980, depois de outra revolução. Em ambos os casos, a superpotência da Guerra Fria perdeu um parceiro de valor estratégico e viu como caía na órbita de movimentos hostis, o comunismo e o islamismo. Em 1977, Cuba abriu um departamento de interesses em Washington que fazia algumas funções da embaixada. A antiga embaixada do Irã em Washington continua vazia.

Apesar das diferenças, em Teerã e em Havana, em Washington e em Viena, o resultado hoje é o mesmo: a eficácia da doutrina Obama

As diferenças entre o degelo cubano e o iraniano são notáveis. EUA e Cuba retomam hoje as relações diplomáticas. Obama se reuniu com o presidente cubano, Raúl Castro. Certamente, o momento em que o mundo esteve mais perto do apocalipse atômico foi a crise dos mísseis em Cuba, mas faz anos que deixou de ameaçar os EUA ou seus aliados.

O Irã é diferente. Os parceiros dos EUA no Oriente Médio veem no Irã um perigo para a estabilidade do Oriente Médio, uma das regiões mais instáveis do planeta. As potências mundiais suspeitam que o país quer fabricar a bomba atômica. Sim, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e seu homólogo iraniano, Javad Zarif,estão há um ano e meio conversando, mas a possibilidade de que os EUA e o Irã retomem as relações diplomáticas é remota. Em 29 de maio, o Departamento de Estado retirou Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo. O Irã continua na lista.

Apesar das diferenças, em Teerã e em Havana, em Washington e em Viena, o resultado hoje é o mesmo: a eficácia da doutrina Obama.

Os críticos denunciam o perigo de fazer concessões a regimes teocráticos ou autoritários. Mencionam os opositores e dissidentes perseguidos no Irã e em Cuba. Alertam que a imagem do presidente ou seu secretário de Estado confraternizando com seus líderes os reforça e legitima. É, segundo esse ponto de vista, a realpolitik em sua pior versão: o realismo que se esquece dos valores democráticos e dos direitos humanos e acaba prejudicando os interesses nacionais dos Estados Unidos. A democracia não está na agenda das negociações com Cuba nem com o Irã.

Mas a democracia, segundo Obama, não chega com uma varinha mágica. Nem com bombas. Wandel durch Annäherung, ou a mudança através da aproximação, era a frase que definia a Ostpolitik, a política para o Oriente do chanceler alemão Willy Brandt. Não era preciso cortar laços com a Alemanha Oriental e com o bloco soviético: a esperança era de que, com a abertura ao outro bloco, eventualmente o Muro cairia (a discussão ainda está em aberto: no final, foi a combinação de abertura diplomática com os mísseis Pershing).

Uma ideia semelhante impulsiona a doutrina Obama. A Casa Branca não acredita que Cuba se transforme em um Vietnã ou em uma China do Caribe, uma economia capitalista com um regime autoritário: a proximidade geográfica e cultural com os EUA a diferencia dos países asiáticos. Segundo esse argumento, o comércio e o turismo norte-americanos devem abrir as janelas, arejar a ilha e, no final, precipitarão a mudança.

Com o Irã não se fala sobre direitos humanos e democracia. A negociação limita-se ao programa nuclear iraniano. Mas Obama está convencido de que as consequências de um acordo o transcendem. "Um acordo nuclear consegue muitas coisas ao mesmo tempo", disse seu assessor Ben Rhodes à revista The New Yorker. "Potencialmente poderia abrir a porta a outro tipo de relação entre os Estados Unidos e o Irã que, em nossa opinião, seria muito saudável para a região."

Em Cuba e no Irã, Obama espera que as mudanças pragmáticas provoquem transformações duradouras. O acordo com Cuba está fechado. Em Viena, os negociadores estipularam uma semana, até terça-feira, para concluir um acordo que resultaria em duas semanas intensas nos EUA. Um fio conecta a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a reforma do sistema de saúde de Obama — aprovados pela Suprema Corte na semana passada — com o degelo com Cuba e com o Irã. Os EUA estão mudando. Seu lugar no mundo, também.

EL PAIS; ESPANHA

 
Exercícios para sobreviver PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Domingo, 28 de Junio de 2015 11:32

Por Mario Vargas Llosa.-

Quando, aos vinte anos, Jorge Semprún decidiu juntar-se a um dos grupos da Resistência francesa contra o nazismo, o chefe da Jean-Marie Action, a rede da qual faria parte, o advertiu: “Antes de aceitar, você deve saber onde está se metendo”. E o apresentou aTancredo, um sobrevivente das torturas às quais a Gestapo submetia os combatentes do maquis que capturava. Semprún sofreria na pele as atrocidades descritas por ele, dois anos mais tarde, quando, a partir da delação de um infiltrado, os nazistas o emboscaram na chácara de Joigny onde se escondia.

O pesadelo transformou-se em realidade: a imersão nas águas geladas de uma banheira cheia de lixo e excremento; a privação do sono; as unhas arrancadas; o crepitar de todos os ossos do esqueleto ao ser pendurado no teto com os calcanhares amarrados às suas mãos; as descargas elétricas e as surras selvagens em que o desmaio chegava como uma libertação.

Nunca antes de escrever esse livro, que foi publicado postumamente na França (Exercices de Survie), Jorge Semprún havia falado em primeira pessoa da tortura, do horror extremo a que pode ser submetido um ser humano, de quem os carrascos não só querem tirar informação, mas também humilhar, torná-lo indigno e traidor de seus irmãos de luta. Mas, embora nunca falasse dela em nome próprio, aquela experiência o acompanhou como uma sombra e supurou em sua memória todos os anos de sua juventude e maturidade, na Resistência, no campo nazista de Buchenwald e em suas constantes visitas clandestinas à Espanha como enviado do Partido Comunista, para construir laços entre os dirigentes no exílio e os militantes no interior. Nesse livro inconcluso, somente esboçado, e no entanto lúcido e comovedor, Semprún revela que a tortura – a lembrança das que sofreu e a perspectiva de voltar a suportá-las – foi a mais íntima companheira que teve entre os vinte e os quarenta anos de idade. Descreve-a como o apogeu da ignomínia exercitada pela besta humana transformada em carrasco, e como a prova decisiva para, superando o espanto e a dor, alcançar os maiores valores de decência e dignidade.

Em suas reflexões sobre o significado da tortura não há autocompaixão nem arrogância, mas um pensamento que ultrapassa a superficialidade e chega ao fundo da condição humana. Em Buchenwald, seu chefe no grupo de resistência o parabeniza por não ter delatado ninguém durante os suplícios – “Nem sequer foi necessário mudar os esconderijos e as senhas”, diz –, e o comentário de Semprún não pode ser mais lacônico: “Fiquei feliz em ouvir isso”. Em seguida, explica que a resistência à tortura é “uma vontade inumana, sobre-humana, de superar o padecido, da busca por uma transcendência” que encontra sua razão na descoberta da fraternidade.

Resistiram para que não fosse a força bruta, mas sim o espírito racional que primasse neste mundo

Submetido à dor, um ser humano pode ceder e falar. Mas também pode resistir, aceitando que a única saída daquele sofrimento selvagem seja a morte. É o momento decisivo, em que o farrapo ensanguentado derrota o torturador e o aniquila moralmente, ainda que seja este quem transforme aquele em cadáver e depois saia dali para tomar uma bebida tranquilamente. Nessa vitória silenciosa e atroz, o humano se impõe ao inumano, a razão ao instinto bestial, a civilização à barbárie. Graças à existência de seres assim, ainda se pode viver no mundo.

Régis Debray, autor do prefácio de Exercices de Survie, faz bem ao comparar Jorge Semprún a André Malraux, que também sofreu as torturas dos nazistas sem falar (seus carrascos não sabiam quem era a pessoa que torturavam) e, como aquele, foi capaz de transformar “a experiência em consciência”. Na Espanha, esse também foi o caso de George Orwell, que quase foi morto por seus próprios companheiros, pelos quais tinha ido lutar, e de Arthur Koestler, esperando em sua cela de Sevilha a ordem de fuzilamento emitida pelo general Queipo de Llano. Eles, e milhares de seres anônimos que, em circunstâncias parecidas, agiram com a mesma coragem, são os verdadeiros heróis da história, com mais pertinência que os heróis épicos, vencedores ou perdedores de grandes batalhas, vistosas como as superproduções cinematográficas. Não costumam ter monumentos, e a grande maioria nem sequer é lembrada ou mesmo conhecida, porque atuaram no mais absoluto anonimato. Não queriam salvar uma nação nem uma ideologia; queriam apenas que não fosse a força bruta, e sim o espírito racional e o sentimento que primassem neste mundo sobre o preconceito racista e a intolerância criminosa perante o adversário político, a civilização criada com enormes esforços para tirar os seres humanos do estado primitivo e organizar suas sociedades a partir de valores que permitam a coexistência na diversidade e façam diminuir (já que erradicá-la totalmente é impossível) a violência nas relações humanas.

Jorge Semprún foi um desses heróis discretos, graças aos quais o mundo em que vivemos não está pior do que está e continua tendo um lugar para a esperança. Nascido numa família abastada, decidiu desde muito jovem, sacrificando sua vocação pela filosofia, militar no Partido Comunista e desaparecer na clandestinidade usando pseudônimos, lutando contra o nazismo e o franquismo, sofrendo por isso o inferno da tortura, do campo de concentração, muitos anos de clandestinidade que o fizeram viver desafiando diariamente longos anos de prisão e uma morte horrível. E tudo isso para quê? Para descobrir, quando adentrava a etapa final de sua existência, que o ideal comunista a que tanto havia se dedicado estava corrompido até a medula e que, se triunfasse, teria criado um mundo talvez ainda mais discriminatório e injusto que o que ele queria destruir.

Embora o autor evoque o mais horrível dos temas, o leitor termina o livro sem cair na desesperança

Alguns ex-comunistas se suicidaram e outros ruminaram sua frustração na neurose ou num silêncio lacerante. Mas não Jorge Semprún. Ele continuou lutando, tentando explicar o que afinal havia compreendido, em livros que são testemunhos extraordinários de como a verdade pode de vez em quando ser fugaz, e de como muitas vezes ela e a mentira se misturam de um modo que parece impossível identificá-las. Sem cair nunca no pessimismo, encontrando razões suficientes para continuar militando por um mundo melhor, ou ao menos mais tolerável, com menos injustiças e menos violência, e mostrando que sempre é possível resistir, corrigir, reiniciar essa guerra em que só podemos observar vitórias momentâneas, porque, como diz Borges no poema ao seu bisavô que lutou em Junín, “a batalha é eterna e pode prescindir da pompa, de visíveis exércitos com clarins”.

Embora o último livro de Semprún evoque o mais espantoso dos temas – a tortura –, o leitor chega ao final sem cair na desesperança, porque, além da brutalidade e da maldade demoníacas, há também em suas páginas idealismo, generosidade, valentia, convicção moral e razões sólidas para sobreviver.

EL PAIS; ESPANHA

 
Tática de Lula: gritar que é o próximo para ver se não é o próximo. Ou: Lula está com medo! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Sábado, 20 de Junio de 2015 16:12

Por Reinaldo Azevedo.-

Escrevi ontem um post cujo título é este: “Primeira pergunta já tem resposta: ‘Quando vão pegar a Odebrecht?’. A segunda segue sem resposta: ‘Quando vão pegar Lula?’”. Leio agora na Folha que Lula diz a aliados que é ele o próximo alvo da Lava-Jato. O alarme soou no Palácio do Planalto. Se “pegarem” Lula, é claro que o governo Dilma vai junto. O ex-presidente está recorrendo a uma tática: ao anunciar que pretendem atingi-lo, denuncia uma suposta perseguição, buscando, então se proteger. Será que vai ser bem-sucedido? Vamos ver.

A Operação Lava-Jato segue, afinal, com o seu mistério, não é? Os políticos mais graduados que estão sob investigação são o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), hoje, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado. À época em que teriam cometido as irregularidades de que são acusados, nem exerciam essa função.

Se a Lava-Jato fosse um romance policial, seria de péssima qualidade porque o roteiro é inverossímil a mais não poder. Que se cometeram crimes em penca, não há a menor dúvida. Um simples gerente de Serviços se dispôs a devolver US$ 97 milhões. Naquele ambiente de esbórnia, dá para imaginar o que não terão feito os que tinham o mesmo caráter que ele, mas com mais poder.

Quando se olha a lista das pessoas sob investigação, os leitores desse romance seriam convidados a acreditar que um esquema multibilionário de fraudes foi urdido por uns dois ou três políticos à época de médio porte, um monte de parlamentares de terceira linha — a maioria ligada ao PP, um partido que é periferia do poder, um grupo enorme de empreiteiros malvados mais alguns diretores larápios. E pronto! Desde que a operação começou, em março do ano passado, pergunto: CADÊ O PODER EXECUTIVO? Não existe. É impressionante, mas nem José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras no período daquela soma de desatinos, é investigado. E olhem que poucos presidentes das estatal foram tão autocráticos como este senhor.

É evidente que essa história não fecha! Então as empreiteiras teriam se unido num cartel para assaltar a Petrobras. Para que prosperassem no seu intento, tinham de contar com a colaboração de diretores safados. Eis que os safados estão lá, do outro lado do guichê, devidamente nomeados pelo… Poder Executivo, certo? Tudo coincidência, né? As empreiteiras cartelizadas teriam tido a sorte de os políticos terem nomeado justamente os larápios de que precisavam. Tenham paciência! Aí se descobre que boa parte dos desvios era carreada para partidos políticos. Mas nada de o Executivo entrar na história.

De volta a Lula
É claro que essa narrativa não para em pé, Santo Deus! E é justamente essa inverossimilhança que deixa Lula em pânico. Ele sabe que ninguém com um mínimo de miolos aposta que tudo não passou de um conluio entre empreiteiros, servidores corruptos e políticos sem importância. Algo da magnitude do petrolão não se faz sem a colaboração de alguém — ou “alguéns” — com efetivo poder no governo e na Petrobras.

VEJA

Por Reinaldo Azevedo

 
Ilusões perdidas (O delirio megalomaníaco do PT) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Viernes, 19 de Junio de 2015 12:15

Por Luiz Ruffato.-

Ubi sunt qui ante nos fueront?” é uma expressão latina, mote de vários poemas medievais, que, traduzida, pergunta: Onde estão agora aqueles que existiram antes de nós? É um questionamento sobre a transitoriedade da vida, mas pode também ser tomada como uma reflexão a respeito das pessoas e ideias nas quais um dia depositamos crédito e que, desafortunadamente, nos decepcionaram de maneira irrevogável. Quando isso ocorre nas relações privadas desenrola-se um drama. Se na vida comunitária, encena-se uma tragédia.

O financiamento público de campanhas eleitorais esteve desde o início entre as principais bandeiras do PT como arma no combate à corrupção. Em 2013, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a defender uma reforma política que caracterizasse o financiamento privado como crime inafiançável. No entanto, passados pouco mais de dois anos, Lula voltou atrás e afirmou não ver problema em, “de cabeça erguida”, o PT aceitar dinheiro de empresas para patrocinar candidaturas.

Por muito menos, em 1997 a ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina foi pressionada a deixar o partido após aceitar convite do ex-presidente Itamar Franco para assumir uma pasta em seu ministério. Na época, o PT havia se colocado em oposição incondicional ao governo, aliás, um enorme equívoco – Itamar revelou-se fiador da nossa frágil democracia e iniciou o processo de estabilização da economia. Ironicamente, para reeleger a presidente Dilma Rousseff e manter-se no poder, no ano passado o partido não titubeou em aceitar o apoio do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, que renunciou ao mandato em 1992 para evitar o impeachment por corrupção.

O PT surgiu em fins dos anos 1970 como uma novidade histórica: uma agremiação de esquerda alicerçada em movimentos populares, sem o ranço do autoritarismo reacionário comunista. Assentado em um discurso reformista que pregava mudanças políticas e sociais respeitando as regras da democracia, o partido se consolidou ao longo dos anos 1980. No entanto, na medida em que ganhava eleições municipais e estaduais, os princípios éticos que norteavam os ideais petistas iam se esgarçando. Finalmente, quando alcançou o governo federal em 2003, pouco restava do pensamento original.

O preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável

É indiscutível que ainda assim houve importantes avanços, principalmente no campo social –aspecto que delimita a diferença radical entre as práticas políticas de esquerda e de direita. Mas o preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável. O cinismo com que quadros do partido justificam as atitudes de dirigentes envolvidos em crimes de corrupção, muitas vezes usando argumentos que quase chegam a repetir o lema “rouba, mas faz”, é estarrecedor. Exemplo recente é a moção de apoio ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, que encontra-se preso acusado de desviar recursos da Petrobras – antecipando-se à Justiça, o partido presume sua inocência.

Em 1982, durante campanha para eleição ao governo do Estado de São Paulo, na qual foi derrotado, Lula pronunciou uma famosa sentença: o PT mata a cobra e mostra a cobra morta. Hoje, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, vem a público declarar que o que houve no mensalão foram “erros” e não crimes. A ética relativa do PT exemplifica em que se converteram os ideais do início da formação do partido. Suas lideranças pouco a pouco assenhoraram-se da verdade, tornando-se comandantes messiânicos pairando acima do bem e do mal. O sectarismo advoga que os fins justificam os meios. Esquecem-se, no entanto, que, se a verdade é transitiva, a ética é um princípio basilar inegociável.

Esse delírio megalomaníaco do PT não afunda apenas o partido, mas configura-se como um perigoso revés para a nossa débil democracia, já que, equiparando-se aos outros partidos, esvazia a esperança dos que um dia sonharam com um Brasil mais justo. Por conta dos desmandos dos gestores do PT, o país encontra-se refém do PMDB, que tem como líderes os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros – este, aliás, para quem não se lembra, ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso.

EL PAIS; ESPANHA

Luiz Ruffato é escritor e jornalista.


 

 
Podemos, a FIFA e a Filarmônica de Berlim PDF Imprimir E-mail
Escrito por Indicado en la materia   
Lunes, 01 de Junio de 2015 11:55

Por Moises Naim.-

É parecido com a eleição do Papa. Os 123 músicos da Orquestra Filarmônica do Berlim, talvez a melhor do mundo, se reúnem em lugar isolado e secreto, entregam seus celulares e votam para escolher seu diretor, sucessor de Herbert von Karajan, Claudio Abbado e outras luminárias que seguraram a batuta nessa instituição. Neste conclave secreto, os músicos votam tantas vezes quantas forem necessárias até que um dos candidatos alcance uma maioria significativa. Há algumas semanas, e pela primeira vez desde 1882, os músicos não conseguiram chegar a um acordo. Sua fragmentação impossibilitou a eleição do substituto do diretor atual, sir Simon Rattle, e assim, imitando um costume do Congresso dos EUA, decidiram adiar a decisão para o próximo ano. “Os músicos de Berlim orquestram o fim da autocracia”, escreveu a crítica Shirley Apthorp, acrescentando: “A era do autocrata terminou; até orquestras menos democráticas que a de Berlim querem ter mais influência sobre seu destino. O estilo absolutista de Herbert von Karajan já não tem lugar em uma sociedade igualitária”.

Essa afirmação é perfeitamente aplicável a muitos âmbitos da atividade humana. Inclusive à Fifa, por exemplo. Alguém duvida que estejamos vendo o final da forma corrupta, opaca e autoritária como funcionou até agora a organização que dirige o futebol no mundo? Por mais que Sepp Blatter, o hábil ditador “democraticamente eleito” da Fifa, continue atuando como sempre fez (e até consiga ser reeleito!), o fim de sua liderança é tanto óbvio como inevitável.

Isso não está ocorrendo só na música ou no futebol. Nas últimas semanas, os resultados das eleições no Reino Unido, na Espanha e na Polônia reconfiguraram a ordem política desses países. O Partido Nacionalista Escocês, no Reino Unido, e os partidos Podemos e Cidadãos, na Espanha, irromperam no cenário, tirando poder das legendas tradicionais. Na Polônia, Andrzej Duda, um candidato relativamente desconhecido até recentemente, derrotou o presidente Bronislaw Komorowski. Em todos esses casos, os especialistas e os institutos de pesquisa se viram surpreendidos pelos resultados.

Algo parecido ocorre no mundo do dinheiro e dos negócios. A revista Fortune está para publicar sua famosa lista das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Nada menos que 57% das companhias que estão este ano na lista não apareciam em 1995. A rotatividade é ainda maior nas classificações das maiores empresas do mundo. Há cada vez mais empresas de países emergentes –especialmente da China –, assim como de setores de negócios que até poucos anos não existiam. Enquanto a Alibaba, a empresa chinesa de comércio eletrônico fundada em 1999, tem um valor de 224 bilhões de dólares (711 bilhões de reais), muitas das companhias europeias ou norte-americanas que antes dominavam seus mercados desapareceram da lista. A Kodak, por exemplo.

O mesmo está ocorrendo com a lista das pessoas mais ricas. Apenas 10% dos norte-americanos que em 1982 estavam na lista da revista Forbes continuavam nela em 2012. É interessante destacar que obtendo simplesmente um rendimento de 4% ao ano sobre seu capital, a grande maioria dos ricos de 1982 teria continuado na lista 30 anos depois. Mas eles não o obtiveram. Quem os substituiu? Os asiáticos.

O Relatório dos Bilionários de 2015 publicado recentemente pela UBS/PwC mostrou que um crescente número de pessoas com fortuna superior a um bilhão de dólares reside e trabalha na Ásia. Dos 1.300 super-ricos incluídos no relatório, 66% não herdaram sua fortuna – eles a construíram. Há duas décadas, a situação era inversa: 57% dos ricos do mundo estavam nessa categoria porque haviam herdado um grande capital. E até 1980, indica o relatório, a grande maioria dos bilionários se concentrava nos Estados Unidos e na Europa. Agora não. Em 2015, 36% dos super-ricos que não herdaram sua riqueza são asiáticos. Apenas 17% são europeus. E 47% residem nos EUA.

A grande surpresa não é que todas essas coisas estejam ocorrendo. O mais surpreendente é a frequência com que os líderes tradicionais da política, da economia, dos esportes ou das artes acreditam que podem continuar se comportando como sempre fizeram. Blatter, o chefe da Fifa, é um bom exemplo disso. Depois de sua reeleição, uma bofetada nas pessoas decentes do mundo, Blatter disse: “Não precisamos de revoluções, precisamos de evoluções. E eu consertarei a Fifa”. Não. Ele não a consertará. Os que a consertarão serão os fiscais e juízes norte-americanos que mandarão para a prisão os corruptos desse organismo. E essa é a revolução da qual Blatter tenta se salvar.

EL PAIS; ESPANHA

No Twitter: @moisesnaim

 
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